sábado, 31 de dezembro de 2011

Aos Taleitores

Tim-tim. Feliz 2012!

Agradecemos pela compreensão de nossos leitores, que se mostram fiéis mesmo com o passar dos anos, das dificuldades e das atribulações que enfrentamos.

Agradecemos pela freqüência com trema. Nosso painel mostra bem a estatística de leitura. Embora nem todos comentem, o painel do blog mostra os acessos, já nos aproximamos de cem mil visitas.

Agradecemos aos taleitores pela boa aceitação das mudanças de estilo de nossos artigos, afinal não faz sentido escrever exactamente as mesmas cousas em dois ou três blogs.

Agradecemos por compartilharem nossos gostos pela fina arte da boa tosqueira, porque tosqueiras de mau gosto, há muito blog idiota que se gaba de mostrar sem pudores.

Agradecemos porque vimos aqui escrever de boa vontade, sem ganhar um centavo, só perpetuando a nobre philosophia com "PH"da siacabância.

Agradecemos porque somos crianças bem educadas, e levaremos uma vara de marmelo no lombo se fizermos malcriações.

Agradecemos pela teimosia em, tendo caído aqui por acidente, insistirem em ler nossas tosqueiras, geralmente acrescentando um leitor ao nosso blog.

Agradecemos aos taleitores e deixamos aberta a caixa de comentários, não só para que comentem, mas também para sugestões, críticas, pedidos e afins.

Agradecemos também a Henry Ford, sem o qual o Corcel Coupé Azul-Calcinha ano 1976, jamais poderia existir.

Agradecemos à Flávia, à Clarissa e à Viviana, que nos deram a chance de começar esta encrenca, reunindo-nos em um só pardieiro, digo, fórum.

Agradecemos e deixamos nossa mensagem no melhor estilo do Talicoisa, por intermédio do inigualável grupo ABBA, que melhor traduz o que nós somos. O mundo não vai acabar e nós continuaremos aqui, neste mesmo bat-blog, procurando assunto para falar com vocês.


sábado, 24 de dezembro de 2011

Apesar


Apesar de tanta gente descrente agredir quem crê;

Apesar de tanta gente só enxergar o natal como troca de presentes;

Apesar de tanta gente só enxergar o natal como reforço de caixa;

Apesar de tanta gente amarga usar a internet para tentar nos obrigar a não tocar no assunto;

Apesar de tanta gente nos assediar para nos convencer (na marra) que que é tudo besteira, e nos ameaçar com represálias materialistas por não aderirmos;

Apesar de nossos talicoisers estarem enfrentando revezes duros nestes últimos anos, e por isso quase não nos agraciado com suas ilustres presenças;

Apesar de tantas adversidades a tolherem nossas criatividades... e também nossos desvairos semanais ao teclado;

Apesar de os trolls azedos e sem motivos próprios para viver terem urubuzado o Talicoisa...

Nossos seguidores mais do que dobraram em menos de um ano;

Ainda encontramos alguma bobagem legal para escrever, mesmo que seja na base do uni-du-ni-te;

Este blog não tem prazo de validade e permanecerá no ar até o último talicoiser deixar seu corpo... se não houver herdeiros;

Temos este singelo textinho de natal, ainda que saibamos que o nascimento de Cristo foi em Abril, mas quem disse que ele se importa?

Continuamos a nos importar assim mesmo, falaremos de pessoas como pessoas, não como "celebridades" ou o que valha;

Continuamos trabalhando de graça neste blog, mas com toda a boa vontade do mundo;

Com toda a distância que nos separa, nem dá para pensar em um amigo secreto, então fica só no Feliz Natal mesmo;

Feliz Natal e próspero Ano Novo, dos talicoisers para seus leitores, não-leitores e gente que não fala português, mas é trazida até aqui pelas maluquices do Google.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A longeva balada de Air Supply


Graham Russell e Russell Hitchcock se conheceram nos ensaios para o musical 'Jesus Christ Super Star', em Sydney. Os santos bateram e os dois se tornaram amigos, formando uma banda em 1975. O pontapé foi quando abriram um show de Rod Stewart em 1976.

Graham é poeta, guitarrista e percussionista autodidata. Com onze anos, em 1961, escreveu sua primeira canção: 'That Rockin Feeling. Encontrou no amigo Russell o complemento perfeito, uma voz potente e afinada para par com sua voz adocicada.

Russell trabalhou por três anos em uma empresa de informática, até se inscrever para o espetáculo e conhecer o parceiro. Não, não escrevi errado, em 1975 o primeiro mundo já tinha empresas grandes de informática, o Brasil é que era (é) muito atrasado, por causa da famigerada reserva de mercado.

O que mais surpreende na dupla não é o enorme talento, mas a carreira longeva. Passados quase trinta anos de seu auge, suas vozes ainda são praticamente as mesmas, não há notícias de brigas sérias ou desavenças ao longo desses anos todos. Em suas vidas pessoais, aliás, preferem reclinar a poltrona e aproveitar a família.

Sem o menor acanhamento, eles continuam cantando baladas doces e românticas, às vezes com umas raspas de limão, com elas mantendo e renovando seu público. Estouraram nos anos oitenta com canções como 'Making love out of Nothing at all', 'Goodbye', 'All out of love', 'Lost in love' e 'Without you'; o mais romântico pé-na-bunda da história.



Mais do que simplesmente recitar letras com melodias, o que já é esperar muito do que estou acostumado a ouvir, a interpretação visceral os manteve intactos em um longo período em que, praticamente, ninguém que valesse à pena surgiu, segurando a peteca até as novas divas virem à tona. Nos áridos anos noventa, quando a música de baixo ventre passou a ser regra, eles apareceram com a doce e melancólica 'Goodbye'.



A exemplo das novas divas, e das renascentes big bands, o que e como cantam chama à dança em pares, juntinhos, sussurrando. Mas também chama às lágrimas quem está só, com uma perda ou um afastamento compulsório a amargar. O uso se suas obras em formaturas é comum, porque ilustram muito bem as passagens de fase na vida.

A discrição de suas vidas pessoais, e o desapego para com os holofotes, mostrou ser um bom seguro contra paparazzi. São notícia praticamente só no âmbito profissional, quando anunciam e dão andamento às turnês. Sim, turnês, o facto de serem sessentões não lhes tira a vontade de trabalhar, fazer inveja aos fãs mais novos é de praxe entre os dinossauros do pop e rock.

O Air Supply esteve várias vezes no Brasil, sempre com casa cheia, sempre sem qualquer alarde arrasa-quarteirão. Eles sabem quem é seu público e que este não tem tanto encantamento com pirotecnia. O mais recente com em 1º de Abril, em São Paulo. Parece mentira, mas estiveram e a casa lotou de novo.



O que mais faz seus desafetos se remoerem, é que a dupla é extremamente bem sucedida e arrasta legiões de admiradores por onde passa. Não precisam apelar para polêmicas, só precisam cantar. Recomendo Air Supply a todas as pessoas, exceto aos machões que não querem ser pegos suando demais pelos olhos, para eles o vexame é certo.



Fã blog nacional aqui.
Website deles aqui.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Vamos dar uma chance: Vazquez Sounds


Tem gente que só usa rede social para suprir seu imenso e enrustido complexo de inferioridade. Tem gente que só usa rede social para suprir sua imensa carência afetiva. Tem gente que usa rede social para não ficar de fora de redes sociais. Tem gente que usa redes sociais para ver se faz algo que valha à pena fazer.

Samuel Barroso, um de meus contactos no Facebook, apresentou-nos um trio infantil que demonstra talento, o Vazquez Sound (perfís aqui e aqui) é formado por três pequenos irmãos mexicanos: Angie (vocal), Gustavo (bateria) e Abelardo (Guitarra e teclado). O vídeo que vi foi um cover de Rolling in the deep, de Adele. Ao contrário do que costuma acontecer, a menina conseguiu mostrar sua própria identidade na interpretação e fez juz à música, cantando com toda a emoção que se pode esperar de quem ainda não teve tempo para ter desilusões amorosas.

O trio Já foi assunto de vários jornais nos Estados Unidos e na Espanha, justo por conseguir interpretar a obra da diva sem perder-se nela. Os fãs mexicanos já se assanham, alguns afirmam "é por isso que tenho orgulho de ser mexicano". Não me recordo de algum músico brasileiro, das novas safras, ter conseguido isso aqui dentro. Para verem muitos vídeos a respeito, vejam aqui.

Agora o titio Nanis ranheta vai falar sério. O talento dos três é patente, vê-se que se encontraram em suas funções e tudo parece muito bem arranjado. Só espero que os pais e (principalmente) o empresário não dêem com os burros n'água, quando vislumbrarem o real potencial artístico das crianças. Vejam bem, são crianças. Ainda são crianças. Embora eu aprove que crianças maiores façam serviços leves e com curtas jornadas, por uma remuneração compatível com a hora-serviço, sempre me preocupa a falta de tato que os pais têm demonstrado nos últimos trinta anos, não sabendo dosar deveres e prazeres. A chance de eles quererem compensar uma exploração desenfreada com mimos é grande, as chances de isto estragar o caráter do trio é muito maior.

Que os próprios fãs, maioria de adultos, façam valer a admiração pelo trabalho das pequenas estrelas e se mantenham vigilantes. Todos sabem dos problemas que Britney Spears enfrenta até hoje, não sabem? Pois bem, ninguém está imune às conseqüências de abusos laborias durante a infância. Especialmente porque há há paranóicos formulando teorias conspiratórias a respeito, e gente besta tentando reduzí-los a um mero fenômeno midiático.

De resto, são crianças lindas, que fazem seu trabalho direitinho, têm muito tempo para melhorar e hoje já são muito boas. São de uma família musical e têm muita base para se apoiarem, não precisam procurar os caminhos fáceis em que tantas crianças-prodígio se perderam.

Sobre as antas a criticarem o facto de terem 'alçado fama mundial com música alheia', vamos nos lembrar da quantidade de bons artistas que começaram cantando obras notórias, para depois, já firmados, cantarem suas próprias músicas. Também lembremos que até hoje as orquestras vivem às custas de Beethoven, Bach e Mozart. E o que seria do theatro de hoje sem Shakespeare?

Website do trio, clicar aqui.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um subversivo chamado Kermit - Aka Caco

Vejam, a boca dele é vermelha! É um comunista!

Eles são gênios! Não é à toa que o último presidente de seu partido, George W. C. Bush, tornou os Estados Unidos simpáticos ao mundo de tal modo, que a palavra de um turista americano vale como prova cabal em qualquer parte do mundo, e hoje (também graças ao gênio da política) os americanos contam com um superávit de dezenas de trilhões de dólares, que não pára de crescer.

Desde os anos sessenta que esse bando de desocupados nos influenciam, disfarçados sob aparências doces, meigas e carismáticas, até mesmo inofensivas... à exceção daquele barbudo cor-de-rosa, este sim, mostra o que eles verdadeiramente são.

Ah, o que seria de nós, selvagens de raça inferior do hemispherio sul, sem os baluartes da democracia, em seus elefantes brancos? Estaríamos perdidos. Nossos amados e louvados tutores descobriram quem são os reais responsáveis por todas as ondas de protestos pelo mundo, os verdadeiros causadores da crise financeira mundial, os agentes comunistas infiltrados da Al-Kaeda nos sacrossantos lares americanos; são os Muppets!

Sim, senhores pais, aqueles bonecos cheios de 'boas intenções', que acompanham seus filhos por qualquer canal decente de tevê a cabo. Que desilusão, não? E eles ainda incentivam ao sexo sem casamento, entre raças diferentes! Ou pensam que um sapo namorar uma porca é só para parecer bonitinho? Não é!!! É subversão da moral cristã-tã, que exige que cada raça se relacione somente em matrimônio, e somente com os de sua raça!

Há décadas fazendo lavagem cerebral nas crianças, incutindo cousas estúpidas como "Dinheiro é bom, mas não traz felicidade", ou ainda "respeitem seus amigos negros", pior ainda quando colocam um bicho judeu que não tem nem espécie como o coitado da turma. Sim, Gonzo é judeu! basta procurar na internet pelas teorias conspiratórias mais absurdas, mais ridículas, dos tipos que fariam o Barão de Munchausen ficar corado de vergonha!

Todo mundo sabe que felicidade é um factor químico, exclusivamente químico, portanto só pode ser encontrado em drogarias, sob prescrição médica. Afinal, se não desse lucro exclusivo para alguém, não seria bom. Alguém aí já recebeu alguma coisa boa de graça? Não, claro que não, e quem disser que sim está mentindo!

Respeitar negros? Vejam só o que aconteceu, eles elegeram um negro e todo o conto-de-fadas que o venerável e adorável salve-salve Bush deixou, se transformou em um enorme déficit, algo simplesmente impagável. Lembrem-se que foi no governo dele, Obama, que a crise apareceu, não no do Jorginho.

Agora, para completar, estão lançando um filme onde um petroleiro tenta acabar com um theatro para fazer escavações! Que injustiça é essa? Que deboche de mau gosto é esse? Por acaso o carro que eles usam funciona com o quê? Energia eléctrica? Bio-combustíveis? Todo mundo sabe que isso não existe, ainda que já esteja circulando pelas ruas!

Não me enganam em não dizerem abertamente que a indústria do petróleo é ruim, fazendo parecer que só estão combatendo um empresário inescrupuloso. Estão sim querendo difamar a abençoada indústria do petróleo, que tantos empregos gera pelo mundo inteiro. Até canais confiáveis, imparciais, de moral ilibada e completamente isentos, como a Fox News, provou por A + B (notícia aqui) que esses bonecos estão fazendo lavagem cerebral nas crianças, nos jovens, nos adultos, nos defuntos e em quem já nem tem mais ligação com o plano terreno, causando as ondas de protestos que assolam o mundo, perturbando a paz, a ordem e questionando os métodos das grandes corporações, como se elas algum dia tivessem feito algo de sujo, ou mesmo mal intencionado contra alguém. Foi provado cientificamente, durante sete minutos, de modo inconteste e irrevogável, que são um bando de comunistas safados, querendo arruinar o modo de vida americano.

Ah, duvidam? Então vejam por vocês mesmos! Vão aos cinemas, depois levem seus amigos, seus parentes, levem todo mundo, lotem as salas e façam todos verem, quantas vezes forem necessárias, até que se convençam de que os participantes da festa do chá-de-erva-louca é que estão com a razão. Todo aquele humor, aquela indumentária elegante dos anos cinqüenta, aquele optimismo incorrigível, aquele roteiro bem cuidado, tudo é feito para ganhar a simpatia e fazer os cidadãos de bem se voltarem contra as corporações!

O que estão esperando? A Fox News (aqui) não deu o alerta para vocês ficarem aí, feito dois de paus! Vão ao cinema e façam esse filme ficar o maior tempo possível em cartaz, de preferência por anos, para que ninguém esqueça!

Para ver mais vídeos subversivos e rachar de rir, clicar aqui.


P.S: se alguém aí chegou agora a este blog, e não tem noções de ironia fina (aqui), esqueça tudo o que leu.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O que é que o Rammstein


Tem talento, profissionalismo, sensibilidade, conhecimento de causa e tino comercial.

Não, minha senhora, não é hamster, é Rammstein. Um grupo alemão de rock pesado que conseguiu a proeza de fazer sucesso mundial cantando em alemão, em um tipo de música que todo mundo canta em inglês. E não é que a língua dos teutões caiu como uma luva no hard rock! Embora, diga-se de passagem, o leque amplo da musicalidade do grupo não se enquadre em nenhum estilo pronto, os próprios integrantes preferem chamar de "tans metal". Surgiu em Janeiro de 1994, em Berlim; não se atrevam a perguntar onde fica. Fã-sites brasileiros aqui e aqui, site da banda aqui. Escracho desciclopédico aqui.

O nome vem de uma tragédia, um acidente aéreo em 1988, na cidade de Ramstein, quando três aviões faziam acrobacias, se chocaram e caíram em cima da platéia, matando setenta espectadores. Acresceram um 'm' ao nome da banda, que significa 'ariete'. Do nome podemos concluir seu estilo: sem sutilezas, indo directo ao ponto e dizendo o que tem a ser dizer.

A formação actual tem seis cascas-grossas musicais: Till Lindermann (vocalista), Richard Kruspe (guitarra solo/vocal de apoio), Paul Landers (guitarra base/vocal de apoio), Oliver Riedel (baixo), Christoph Shneider, o Doom (bateria) e Cristian Lorenz, o Doktor Flake (teclado), caçula da banda, entrou no fim do ano de inauguração. de 1999 a 2010, fizeram quatro shows no Brasil; teria sido cinco, se o de 2005 não tivesse sido cancelado.

Cada música do grupo é feita com esmero e métrica, antes de ser inclusa em um álbum. A qualidade do trabalho, para quem se der ao trabalho de apreciar a obra, demonstra o conhecimento musical e psicológico da banda, pois muitas vezes eles escrevem as letras de modo propositalmente dúbio, para cada um interpretar como pode o que ouve. Invariavelmente são repletas de conteúdo, com lições de moral e vida que constumam estar presentes em contos de fadas. A mensagem é sempre dura, sem rodeios, mas jamais determinista e catastrofista; aqui ele se distancia muito da maioria das bandas pesadas. Rammstein mostra o mundo de luzes e sombras em que vivemos, sem disfarces, mas também sem fazer a realidade parecer pior do que realmente é. O veneno, muitas vezes, é também a cura para o mal que causa...

Dizem que são supersticiosos, só porque todos os seus discos têm onze faixas, e pelo menos uma música tem o nome do álbum. Não, bate na madeira e dê três pulinhos, não é superstição, é um dos estilos comerciais que identificam uma boa marca, e a marca Rammstein é muito sólida.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A vitória do pássaro biruta!

http://seriesedesenhos.com/br2/

Pois é, minha gente, o passarinho demente criado por Walter Lantz (aqui) fez mais uma vítima. O Pica-Pau passou a Xuxa no ibope. Mais aqui, um blog dedicado ao passarino aqui e aqui.

Surpresa nenhuma, era só qustão de tempo até a fórmula repetitiva, que deu certo até o fim dos anos oitenta para as crianças, sucumbir à fórmula atemporal de um dos arquétipos mais fortes da mídia moderna.

Mas O que tem um passarinho caricato, politicamente incorrecto, criado nos anos quarenta, para derrubar gente consagrada com reprises de décadas passadas?

Vamos deixar claro que o Pica-Pau nunca foi e ainda não é bonzinho, nem na insonsa versão para o século da neurose-sócio-hipersensitiva. Ele é tudo o que uma pessoa não deve ser... Ou quase tudo. Foi criado em 1940, em plena Segunda Guerra assolando a Europa, às portas de os americanos também pegarem em armas. Diz a lenda, que Lantz foi atormentado durante a lua-de-mel por um pica-pau da cabeça vermelha, exactamente como o personagem que criou depois. Talvez pela raiva passada, o primeiro modelo era tão grotesco quanto de caráter duvidoso, mas a intenção era justamente passar às crianças o que era errado, ridicularizando os defeitos humanos.

Para quem sabe discernir a vida real da ficção, e isto muitas crianças fazem melhor do que muitos adultos, fica fácil ver que o Pica-Pau satiriza as fraquezas humanas sendo mais humano do que o próprio homem. Com o tempo a parte psicótica foi sendo transferida para antagonistas como Leôncio, Zeca urubu e outros menores, mas jamais perdendo as lições bem humoradas de como não se deve portar. Os desenhos de hoje, pelo contrário, tratam a criança como demente, até na porca seqüência dos quadros de animação.

O Pica-Pau, pelo contrário, não tem vergonha de rir ou chorar em hora imprópria, de usar todos os meios disponíveis para defender sua casa, no oco de uma árvore, de descer o cacete no Zeca Urubu por Winnie, enfim, de ser mais autêntico e didático do que qualquer cafetão ranheta. Mas também não se furta o dever de dar bons exemplos e ser atencioso, como quando cuida dos sobrinhos Toquinho e Lasquita, que como os do Donald, ninguém sabe de quem são filhos. Seus episódios (da era Lantz) são ricos e passam longe da repetição, embora tenham temas sempre recorrentes, como a pobreza, em seus últimos episódios.

Como todos os desenhos animados, os primórdios do Pica-Pau foram no cinema, sendo apenas em 1957 sua estréia na televisão. Com o tempo o monstrinho com cara de fugitivo do hospício foi sendo suavizado para se tornar um demente socialmente apresentável, mas a queda da qualidade das piadas é bem recente. O estúdio de Lantz produziu o Pica-Pau até 1972, após 196 episódios, uma indicação para o Oscar para um curta-metragem (jamais repetido) e uma estrela na calçada da Fama. Reapareceu em "Uma cilada Para Roger Rabbit", que também relançou Betty Boop.

A Universal Animation Studios relançou o passarinho biruta em 1999 até 2003, com o mundo já assolado pela neurose do "Não fala mal das baratas que eu choro" hoje reinante. Recentemente (aqui) o Hollywood Reporter (aqui) anunciou que a Universal (aqui e aqui) está desenvolvendo um filme, com pessoas reais, para o Pica-Pau, apenas faltando encontrar um bom roteirista. A ideia é aproveitar um título que já lhe pertence para criar uma franquia nos moldes modernos... Na verdade a ideia é recorrer ao que já deu certo, porque as porcarias de hoje não fazem frente aos animes japoneses, que de politicamente correctos não têm absolutamente nada e fazem muito sucesso com pais e filhos, basta ver o ressurgimento dos heróis DC e Marvel. O único herói politicamente correcto que deu certo é o Super Homem, mas é uma receita que só deu certo para ele e para ninguém mais. Mas Kal-El é a personificação do adulto bem resolvido consigo e com o mundo, e só há espaço para um homem perfeito assim no mundo.

E ainda tem gente perguntando por que motivos esse passarinho psicótico tem, com reprises de várias épocas aleatoriamente exibidas, tirado o sono da Globo. Existe receita antiga e receita velha, a do Pica-Pau é antiga, as dos perdedores é velha. E façam o favor de não estragar um filme que tem tudo para fazer uma economia inteira girar freneticamente.

Mais vídeos dublados aqui e em inglês aqui.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Assim nasce uma diva


Chloë Grace Moretz, que desceu em Atlanta em dez de Fevereiro de 1997 (aqui e aqui) ou seja, é ainda uma menina, deu um passo importantíssimo para ser muito mais do que um rosto bonito em Hollywood.

Em uma conversa (aqui, aqui and here) com o veterano Martin Scorsese, ela interpretou com perfeição um sotaque britânico. O cineasta ficou pasmo quando percebeu que ela não é inglesa. Resultado, ganhou um papel para seu filme trintista: A Invenção de Hugo Cabret, que estréia por cá em dezessete de Fevereiro próximo. Website da menina aqui.

O que há de tão extraordinário nisso? O facto de ela ter conseguido o sotaque treinando com o irmão, inventado personagens para ensaiar e se inspirado em Gwyneth Paltrol em "Shakespeare Apaixonado". Ela não fez laboratórios em redutos ingleses, nem mesmo viajou à Inglaterra, simplesmente treinou com o que tinha em mãos. O resultado, pelo espanto de Scorsese, foi um sotaque natural, elegante e bem falado, sem exageros de quem quer mostrar tudo o que sabe em menos de um segundo.

Apesar da pouca idade, a menina já tem uma carreira recheada nas telas desde 2005, quando fez Molly em "Heart of Beholder", mas está no ramo desde os seis anos, quando fez Violet na série The Guardian.

Na vida pessoal ela não tem moleza. A mãe disciplinadora controla de perto e com rigor os seus gastos, principalmente com roupas, também não permite que fale os palavrões que precisa dizer por suas personagens. Um bom e raro seguro contra deslumbramento e perda de rumo. As divas dos anos áureos, todas elas, passaram por alguma experiência de privação e/ou disciplina rígida, que moldou seu caráter e sustentou seu talento. A matrona impede que a diva aflore antes da hora, mesmo com os picaretas de Hollywood querendo espetar sua filha com seus tridentes.
Isto, na vida real, NEEEEEEEEEMMM PENSAR, MOCINHA!

O que esperar disso: Que a menina cresça com a cabeça no lugar e visão de longo prazo, que faltou a muitos dos artistas-mirins. Ela afirma em entrevistas que sua família, bastante tradicional, lhe propicia uma vida de adolescente, sem afetações e com todas as obrigações que todos os adolescentes deveriam ter, inclusive as regras de civilidade e boa educação. Com isso as chances de uma carreira longa e próspera, sem temer o lado negro da força que a fama de super star oferece como tentação, são grandes. A menina é esforçada, tem amparo familiar e provou ter muito mais do que talento, tem profissionalismo.

Que ela vai soltar a franga, quando tiver a maioridade, é quase certo, mas a base para controlar o afã por emoções fortes ela já tem. Ela é fã de Audrey Hepburn, se seguir metade das lições deixadas pelo Anjo das Crianças, o brilho de duva será certo e longevo.
Notaram uma certa semelhança com a diva de gelo Greta Garbo? (website da diva)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Espelho, espelho meu!


Eu já tinha falado do papel de rainha má vivido por Julia Roberts (neste artigo aqui) e que ela se sairia bem, apesar das críticas dos fãs mais xiitas. Pois o trailer do filme já saiu e provou que titio Nanis estava certo.

"Mirror, Mirror", equivalente a "espelho, espelho meu" mostra uma Rainha Má carismática, linda, meio ninfomaníaca, e uma Branca de Neve maravilhosa e cheia de atitude; quando eu digo "atitude", é ATITUDE e não essa pasmaceira "descolada" que tomou indevidamente o termo. A princesa mostra que beleza casa-se muito bem com conteúdo, como a pele da antagonista já provou há décadas.

A Branca de Neve, aliás, é Lyli Collins, filha de Phill Collins. A personagem justifica a imagem que temos da princesa, tanto em termos de beleza quanto em termos de maturidade.

Para quem não se recorda e se deixa levar pela babaquice anti-conto-de-fadas, vou refrescar a memória. Branca de Neve ficou órfã de mãe, o rei casou-se de novo e foi morto pela nova rainha, que passou a perseguir a princesa. Apesar de seus esforços e perversidade, ela não conseguiu evitar que Branca crescesse linda e saudável. Ela era tratada como serva no castelo durante toda a infância e adolescência. Quando foi levada pelo caçador, o que ela poderia fazer além de implorar para viver? Não, o conto dos Grimm deixa claro que ela não transou com o caçador, que ainda demonstrava respeito pelos pais da moça. Chegando à casa dos anões, passou a ser a governanta, trabalhando arduamente e demonstrando alegria em trabalhar... Ah, deve ser (também) isto que desagrada tanta gente. Ser feliz sem ostentar e tripudiar tornou-se ítem excludente na sociedade. Como viveu toda sua curta vida no castelo, e depois com os anões, que os Grimm também deixam claro que jamais a tocaram, ela não tinha a maldade de desconfiar de uma figura frágil como a que a madrasta tomou, por isso caiu fácil na conversa da maçã. Ela não ficou esperando sentada pelo príncipe, que já conhecia de vista e galanteios. uma pessoa em coma por envenenamento não tem muitas escolhas além de ficar parada, sob o risco de ser enterrada viva. Até então ela era uma trabalhadora braçal, com atitudes de uma adulta responsável. Memórias refrescadas? Óptimo.

No filme, enquanto está no palácio, Branca é a alegria encarnada de todo o reino, proporcionando festas sempre animadas e dançantes no salão. Quando precisa fugir, Branca encontra anões com jeito e vestes de conquistadores espanhóis, além de outros figurinos engraçados, e além de ser protegida por eles, como no conto, é treinada em artes marciais com arco e espada, tornando-se uma boa combatente. Ela, que já sabia se virar, torna-se perigosa e ainda mais bela por isso, usando roupas adequadas às armas, não só os vestidões pesados da fábula. A piada nonsense recorrente é uma brincadeira com o nome: "Snow What?", "Snow Were?" e tosqueiras do gênero, que arrancam risos de perplexidade. Enquanto isso, a madrasta enfeitiça, literalmente, os homens para conseguir sexo... podem tirar o cavalinho da chuva, porque o filme é voltado para o humor, não para essas saliências que vossas senhorias estão imaginando.

Nesse meio tempo, a cômica Rainha Má se diverte como monarca e soberana do reino, oferecendo cenas hilárias e mostrando o ridículo pelo que muitos passam, quando tentam eternizar a juventude. Um dia ela descobre que sua enteada está viva e manda gente atrás dela, que não foge da luta e cruza espadas como a mocinha crescida que é... E um dos perseguidores é o príncipe... And the love is in the air. Pero non troppo, a trama se desenrola até o 'the end' escurecer o telão. A rainha percebe, com os sucessivos fracassos e retornos humilhantes de seus soldados, que não será pela força que vencerá Branca de Neve, então entra em cena a boa e velha maçã envenenada... E as que comemos todos os dias não o são também?

Não direi que Julia Roberts está maravilhosa porque é chover no molhado, ainda mais em um tipo de papel que ela conhece tão bem, o da comédia. Não adianta, ela não se torna antipática e repulsiva como Odete Roitman, não dá para desejar que ela morra no final. Quem sabe uma pena alternativa...


Há outra versão, sombria e pessimista, bem ao gosto de quem acha que final feliz é alienação, que tudo é sofrimento, que o mundo é mau e que a grama do vizinho sim, é grama verdinha de verdade. É o Snow White and The Huntsman, que tem um jeito de RPG deprê indisfarçável. Nele a Rainha Má faz por merecer a antipatia, ela é uma vampira que rouba a juventude e beleza das outras mulheres, tomando-lhes também suas vidas biológicas:


De minha parte, vejo tenebrosidades demais na vida real, para a ficção quero ver beleza. Mas escolham seu filme e bom proveito. Mirror Mirror estréia dia seis de Abril, no Brasil. Mais detalhes e uma galeria de belas imagens, cliquem aqui.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Eu recomendo Caro Emerald


Embelezou Amsterdã em 26 de Abri, de 1981, baptizada com nome de princeza: Esmeralda Caroline van der Leeuw. Mais aqui, na BBC aqui, o Myspace dela aqui, seu Twitter aqui e homepage aqui. Facebook da moça aqui.

Caro é jazzista e passeia com categoria e autoridade pelos ritmos caribenhos, bem ao estilo dos anos quarenta até sessenta, antes de a cultura pubiolatra tomar conta da América Latina. Como tal, seu estilo tem toda a sensualidade e opulência da mulher tipicamente (ninguém diria que não é) latina, jamais sequer se aproximando da vulgaridade. Se fosse dar-lhe um título, seria "A Pin-Up dos Países Baixos".

A voz de Caro Emerald é bastante sonora e aconchegante, como a de uma mãe cuidando do rebento, mas muitas vezes como a de uma mulher seduzindo seu homem.

Iniciou oficialmetne sua carreira em 6 de Julho de 2009 com "Back It Up". O álbum de estréia "Deleted Scenes from the Cutting Roon Floor" ficou por três semanas no todo das paradas holandesas, batenda a semana de reinado de "Thriller". É mole ou quer mais? Na música em questão ela mescla com suavidade e maestria os ritmos dos anos quarenta com elementos modernos, e no clipe ela remexe, remexe muito enquanto dança, mas não esfrega nada na câmera e não insinua o que crianças não possam ver.

Hoje ela integra o grupo harmônico Les Elles, é back vocal no Kinderen voor Kinderen (crisnças para crianças) e canta com 44 vozes na orquestra Philharmonic Funk Foundation... Moça ocupada!

Ela não foi fabricada por um estúdio, sua formação sólida começou no Conservatório de Música de Amsterdã, diplomada em 2005. Ou seja, além de beleza, talento e voz, ela tem conteúdo para apresentar.

Como Adele, ela está menos preocupada com a padronização esquálida imposta por 'costureiros' famosos, do que com sua beleza e saúde. Ela não tem a barriga chapada, seu adorável sorriso de pin-up faz os olhos fecharem e seu nariz não é bidimensional. Aliás, é uma pin-up musical, tipicamente elvgreniana, linda e atraente como convém. Não sabe quem foi Gil Elvgren? Então ande logo e clique aqui.

Qual o seu público? O amante da boa música independente de estilo e origem, o saudosista das grandes divas (renascentes) de outrora, o que gosta do estilo vintage, o que ainda se lembra e aprecia o verdadeiro ritmo caribenho e o jazz legítimo, o que gosta de dançar sabendo o que está ouvindo, uma combinação de dois ou mais e todos juntos num só: eu.


P.S: Artigo n° 800 do Talicoisa.

domingo, 13 de novembro de 2011

Programa para criança!


Antes de se tornar uma estatal, a TV Cultura era pública e primava pela qualidade de seus programas, fazia o engraçado sem ser ofensiva.

A pérola negra foi o Rá-Tim-Bum, que teve apenas cento e oitenta episódios, feitos de 1989 a 1992, reprisados à exaustão por anos além. Mas mesmo este programa não escapou de ser alvo de dogmopatas, que tiram do nada ou do "ouvi alguém falar" (como aqui) conexões demoníacas, ao contrário de cristãos (como este) que raciocinam e questionam o que não tem fonte confiável. Sem grilo? Eu sou céltico, se "Rá-Tim-Bum" fosse um encantamento celta, eu saberia. Se querem referências válidas sobre o programa, cliquem aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Fruto do suor e talento de Flávio de Souza, Cláudia Dalla Verde e Dionisio Jacob. Contavam também com artistas talentosos como Marcelo Tas e Carlos Moreno... Sim, aquele da Bombril. Quem nunca o viu actuando, especialmente para crianças, não sabe o que perdeu. A direção geral ficava sobre os ombros de Fernando Meirelles.

O mote do programa era educar seus espectadores falando a sua linguagem, não vender brinquedos para eles. Os personagens eram caricatos, coloridos e cheios de reações exageradas, algo bastante circense. Em todos os quadros, fixos ou não, a equipe conseguia encaixar o ensino da tolerância e da civilidade sem parecer chato, politicamente patético, politizado e outros ranhos da culturopatia moderna.

Enquanto apresentadoras de outras emissoras se preocupavam em arrancar suspiros os pais das crianças, e os apresentadores ficavam na lenga-lenga de "menino contra menina" ou "em qual buraco vai entrar", o Rá-Tim-Bum se esmerava em colocar falas como "Que linda bola vermelha!", com o personagem apontando para o brinquedo, ajudando as crianças a terem noções de cores e formas da maneira mais natural do mundo. Uma geração inteira das regiões sul e sudeste cresceu sob a tutela da TV Cultura, que Deus a tenha. Uma geração que hoje lamenta muito pelo mau comportamento das seguintes. E eu lamento muito que a TV pública de São Paulo não tenha desembarcado por aqui antes.

Um dos momentos mais esperados eram os quadros que incentivavam à higiene, tocando musiquinhas alegres e grudentas. Às vezes com actores de roupão e máscara de porquinho fazendo trapalhadas em um banheiro, às vezes mostrando crianças se despindo, tomando banho, se secando e se vestindo, tudo de um modo isento de perversão.


Outro momento apoteótico era a aula do Professor Tibúrcio, vivido pelo Marcelo Tas, com trejeitos e indumentária meio surreais.


Outra pérola, o "Senta que lá vem história", apresentava dramatizações educativas E divertidas, que mostravam temas específicos demais para a programação fixa. Não esquecendo da Nina, vivida por Iara Jamra, que travava longos diálogos com a Careca, uma boneca simples de plástico soprado em que até o cabelo era moldado e fixo.


E que tal contar estorinha com coisas e cousas encontradas pela casa mesmo, sendo usadas como personagens? Pois também havia disso, sem nenhum recurso tecnológico, proseando e contando a trama como uma mãe conta aos filhos.


O calcanhar de aquiles era justamente a sua maior virtude, a ausência de comercialização nos quadros do programa o tornava pouco atraente, os patrocinadores eram quase que só entidades como SESC, SENAI e outros parceiros tradicionais da moribunda Cultura. Os anunciantes que empurravam quinquilharias baseadas em desenhos animados não tinham o que fazer com uma programação responsável. Hoje os assinantes podem usufruir à vontade dessas pérolas, quem não tem tevê paga precisa recorrer à interlerd.


Por que acabou? Bem, os programas brasileiros são quase todos de vida curtíssima, então é natural que o Ra Tim Bum, pelo menos naquele formato, também acabasse um dia, como aconteceu co m o Bambalalão. O problema é não ter aparecido nada à altura e, o que é pior, o público não ter exigido nada à altura. Não tenho nada contra as empresas tentarem vender, é disso que elas vivem, me irrita é a venda tomar o lugar de protagonismo em um programa infantil. É pela cessão excessiva ao patrocinador, que os programas dirigidos para o público infantil passam a transformar seus apresentadores em ídolos, seja das crianças, seja dos marmanjos, sempre medindo palavras para não quebrar contractos ou contrariar anunciantes.

O que eu escrevi é só uma palhinha do que o Rá-Tim-Bum oferecia às crianças, que em resumo era o direito de serem crianças enquanto pudessem ser crianças. Escrever um resumo de tudo o que foi, seria criar um blog temático exclusivo a respeito. Porque a TV Cultura joalheira ficou no passado.

sábado, 5 de novembro de 2011

Amy-a, ou faça o favor de calar-se!

 Lembram do estardalhaço que a imprensa fez, quando Amy Winehouse faleceu? Lembram dos jornalecos levianos, torpes, que anunciaram que ela tinha comprado enormes quantidades de drogas no dia anterior? Lembram dos trolls de chocadeira que encheram fóruns de internet com mensagens baixas, denegridoras e até caluniosas contra quem já não pode se defender?

Sim, vocês se lembram porque foi alardeado à exaustão. Mas assim como Elvis, Marylin e Jackson, ninguém teve a mesma boa vontade para alardear o que a medicina forense concluiu, Amy morreu tentando se livrar das drogas, preferiu sofrer as crises de abstinência a recair. Embora de compleição delicada, sua personalidade era alterofilista.

Tendo nos agraciado com sua vinda em 14 de Setembro de 1983, e nos deixado em 23 de Julho deste triste ano de 2011, Amy Jade Winehouse (seu website) encarnou com perfeição as divas negras americanas dos anos quarenta e cinqüenta. Talvez com perfeição excessiva. Posso dizer, sem entrar em detalhes desnecessariamente sórdidos, que assim como uma pistoleira pode arruinar a vida de um homem, um canalha pode arruinar a vida de uma boa moça.

O que ninguém da imprensa faz questão de lembrar, é que ela foi uma pessoa acessível, sem frescuras para com o público e mesmo para com os jornalistas, foi autêntica ao extremo. Por isso mesmo não hesitava em perder as estribeiras com os abusos de paparazzis, o que lhe rendeu muitos desafetos nos jornalismo 'especializado'.
Turrona e cabeça dura, como este escriba, ela acabou obcecada por quem não deveria e quase arruinou uma carreira ainda em ascensão.

Os murrinhas fazem questão de apontar a pouca fortuna que ela deixou, mas são os mesmos que sempre reclamam que os artistas são ricos demais. Então eu pergunto, dois pontos: É da sua conta?

Muita gente não sabe o que significa isso, mas Amy era madrinha. Uma madrinha, pela tradição, é alguém que assume a criança quando seus pais faltam, não que os abutres de pasquins de acetona se importem. A menina Dionne Bromfield (sua homepage) sempre foi incentivada pela madrinha e está cantando desde 2009, hoje está no segundo álbum. Como era consigo? Amy foi uma madrinha carinhosa e protetora, que não deixou a afilhada desperdiçar seu talento, quando a ouviu cantar em casa. Seu estilo é parecido com o da madrinha, mas não com a melancolia, provavelmente pela pouquíssima idade. A menina tem talento, ao contrário dos detratores, que alardeiam que só faz sucesso sobre o cadáver da madrinha.

Posso dizer que quem denigre Amy, hoje, é o mesmo grupo que se aproveitou de suas fraquezas, que torce e até faz macumba para um grande talento cair em desgraça, só para ter o que publicar, já que talento para informar o público de assuntos importantes, não têm. O que eles desdém, é que Amy Winehouse não deixou ninguém desamparado, seja financeiramente, seja em recursos para continuar a viver por seus meios. Livros de memórias da moça, músicas inéditas e muito material está à disposição da família.

Para quem conhece o cidadão, direi algo que dá uma idéia com acento da boa pessoa que ela foi na terra. Amy era amiga, e fez dueto, com ninguém menos do que Tony Bennett, um dos maiores cavalheiros da música mundial, cujo veredicto sobre um artista pode atrair para o mesmo, a simpatia até do público mais conservador. Nele se vê realmente que ela foi uma legítima diva, em par perfeito com um astro de primeira grandeza, que já dispensa imprensa e marketing para continuar trabalhando. Quem duvida do caráter de Bennett, ou não o conhece, ou merece levar umas bolachas!

Façam como o Solda, Amy-a ou deixe-a, ou mantenha a matraca fechada.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Eu recomendo Regina Spektor


Já falei um pouquinho dela neste bat blog, por sugestão do nosso bat blogueiro sumido Elmo, no bat texto Música Russa Hoje.

Nascida moscovita, na então União Soviética, em 18 de Fevereiro de 1980, Регина Спектор ( ver mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e seu website aqui) teve uma formação musical muito sólida, o pai era violinista amador e a mãe professora de música, hoje leciona em uma escola pública de Nova Iorque.

Quando houve a abertura, que permitiu a cidadãos judeus emigrarem, eles foram para os Estados Unidos, meio tristes por deixarem o piano em que Regina estudava, mas foi a decisão mais acertada que tomaram. A então menina tinha forte influência dos Beatles e The Moodle Blues. Antes fechada à música clássica, ela adoptou também os ritmos ocidentais, que dominou rapidamente.

Meus amigos judeus farão louvores agora. Regina encontrou no porão da sinagoga que então passaram a freqüentar, adivinhem, um piano. Mas a russa só se deu conta de seu talento quando as outras crianças se admiravam com as músicas que ela fazia espontâneamente, quando visitou Israel, batendo dedos na mesa, assobiando, sem perceber o que fazia. Ela começou sua carreira na noite, cantando em cafés e lá vendendo seus discos, produzidos de forma independente. Está na estrada desde 2001.

Encorajada, o que era uma actividade doméstica passou a ser levada com profissionalismo, passou a compor suas músicas, a primeira foi A Capela, aos dezesseis aninhos. Regina estudou muito dedicou-se muito de corpo, alma, espírito e mente à música, para fazer algo que considerasse bom de ser exibido. Ela afirma já ter mais de setecentas músicas, que simplesmente fluem sem ela ambicionar escrevê-las.
Seu primeiro tour nacional foi acompanhando a banda The Strokes, em 2003-2004. Em 2005 abriu o show de Keane e então sua fama começou a decolar.

O que esperar desta bela judia.

Seu alcance vocal é muito amplo e ela utiliza toda a sua extensão, ou seja, desde que despertou passou a ter consciência de suas faculdades. Também se vale de todas as técnicas que conhece, às vezes apenas produzindo sons com lábios ou zunidos, bastante heterodoxa. De minha parte, conheço um pouco de ciências ocultas e posso dizer que ela sabe muitíssimo bem o que está fazendo. São mantras espontâneos, orações que ela faz durante as performances sem que a maioria do público perceba.

Suas letras são tão ecléticas quanto suas técnicas e suas aptidões à música. Embora quase sempre em inglês, ela utiliza todos os idiomas que domina para cantar. Regina não se furta o direito de exagerar o vocal de vez em quando. Quem for comprar seus álbuns não espere ouvir músicas pasteurizadas no estilo Spektor, ela tem muitos e todos eles cabem no disco. Por isso mesmo está longe de ser uma unanimidade, é preciso um mínimo de erudição, intuitiva, autodidata ou acadêmica, para apreciá-la em todo o proveito que oferece.

Amor, morte e religião, em especial a bíblia (que conhece mais do que os cristãos) e o judaísmo, são seus temas preferidos. Muitas vezes ela utiliza palavras-chave em várias músicas, em algumas é uma satírica afiada e impiedosa, como em Wasteside.

Em seu website é possível comprar dvd e bluray, que não são baratinhos, como judia da gema ela sabe o valor de seu trabalho, mas valem o que custam. É uma boa moça, dedicada à música e à sua família, que vai comendo o mingau pelas beiradas, se fartando sem chamar atenção dos fanfarrões.

Ela já esteve no Brasil em 2010, no SWU Brasil. Vejam que "meiga":
Por fim, a judia emergindo no acto de seu ofício:

sábado, 22 de outubro de 2011

A alma canta; Adele


Na época mais crônica da crise de saudosismo, em meio a uma massa tão crítica de incompetentes bem promovidos, quando muitos já pensavam em contractar médiuns para que as divas negras voltassem a cantar na Terra, eis que ela surge.

Adele Laurie Blue Adkins (aqui, aqui, aqui e aqui) nos veio em cinco de Maio de 1988, descendo por Tottenham, Norte de Londres. Descobriu aos quatorze o que queria fazer da vida, quando um microphone acabou caindo em suas mãos.

Sua carreira decolou graças ao moribundo MySpace, onde três demos chamaram a atenção da XL Recordings, assinou com ela e logo de cara ganhou três certificações de platina com o álbum 19. Desde então já são mais de 3,3 milhões de discos vendidos... Imaginem se não existisse download.

Por causa de excessos que freqüentemente lhe custavam a voz, Amy Winehouse acabou transferido para a colega a preocupação dos fãs e da crítica com sua voz. No blog que mantém em seu website, ela nega e procura tranqüilizar a massa de fãs que sabe que tem, embora se recuse a vestir a carapuça de musa que tão bem lhe cabe.

Recatada, discreta em relação à sua vida pessoal, esta sempre foi fonte de inspiração para suas músicas e suas performances, tal qual era com as divas negras... também as brancas, que algumas conseguiram se destacar, vá lá.

Há os críticos com dor de cotovelo, que dizem que seus fãs são gente de meia idade que não sabe baixar músicas, por isso compram tantos discos. Bem, eu vou dizer uma cousa, eu sei fazer download, ainda que apanhe nas primeiras tentativas, mas não faço. Vejo diariamente ofertas de músicas e filmes "de grátis" a povoar os caminhos entre um site e outro.

Há também os fãs de frutas rebolantes que a chamam de gorda... Gorda??? A mulher tem uma voz do Alabama, uma viceração musical texana, uma classe tipicamente britânica para cantar, fora o carisma novaiorquino que exala, e os sujeitos só conseguem dizer que ela é gorda? Essa menina é linda, tem um rosto delicado, um sorriso doce e um olhar meigo como raramente de vê em artistas de sua estirpe; e mais raramente ainda tudo no mesmo pacote. Some-se a isto uma voz possante como um Chevrolet V8 huge block e doce como uma Alfa Romeo... E tão emocionante quanto os dois juntos.

A tristeza no amor, que é um dos pilares de suas canções, acaba sendo o consolo de fãs egoístas como Alexandre Inagaki, do blog Pensar Enlouquece.

Já há sites dedicados à ela no  Brasil (como este e este) além de seu perfil no My Space (aqui) ainda estar em pleno funcionamento. Podem clicar nos links e se deleitarem com ela. Facebook? Sim, aqui está o perfil dela, mas não espere que ela leia um comentário entre os milhares que está acostumada a receber. É mais ou menos como o Barack Obama, precisa ser um comentário muito fora do comum, ou de uma relevância extrema para se destacar entre os outros e merecer atenção particular. Não é como nós, pobres mortais, que festejamos quando meia dúzia comenta o que escrevemos. Para vocês terem uma idéia, o clipe Rolling In The Deep já tem mais de cento e cinqüenta milhões de visitas em dez meses. Repito: 150.000.000 visitas. A maioria dos vídeos de sucesso tem um milésimo disso, com mais de um ano de publicação.

Aos que temem que a moçoila um dia corte os pulsos com papel crepom, deprimida com sua vida trágica e amargurada, ela avisa que é exactamente o contrário disso, em suas próprias palavras: "Sou o oposto daqueles comediantes que são divertidos no palco e depressivos sob portas fechadas. Numa gravação posso até parecer triste, mas na vida real estou bem satisfeita. Só que, quando eu estou feliz, eu não escrevo músicas. Fico lá fora, rindo, vivendo um amor. Eu não teria tempo pra compor. Se eu estivesse casada, chegaria uma hora em que diria: 'Querido, eu preciso me divorciar, já se passaram três anos, eu tenho um disco pra escrever!'". Neste caso talvez uma tragédia que mutilasse o marido a inspirasse... Não, melhor não. Com o tempo ela há de descobrir mais fontes de inspiração do que seu próprio sofrimento.

Interessante notar que em sua lojinha virtual (toda cotada em Libras) nem tudo leva seu rosto, nome ou iniciais. Alguns artigos têm a estampa de um basset. Antes de reclamarem dos preços (de seis a dezoito Libras cada peça) lembrem-se de que a imagem é parte do meio de vida de um artista. A caneca do basset custa oito libras.
Sem mais, vejam e ouçam Adele:


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tosquices que formaram meu caráter -II

Atendendo a um pedido de Nanael, hoje vou dedicar este post à série "A Feiticeira"; na verdade o nome original é mais próximo de "Enfeiticaçado", mas o nome brasileiro faz mais juz à protagonista. Trata-se de uma das muitas delícias que abordavam a vida doméstica suburbana dos EUA, de forma muito bem humorada e, algumas vezes, bem crítica.

Como não amar...

...A abertura, em forma de desenho animado, com traços fidelíssimos aos atores?

...Samantha, a feiticeira, dividida entre seus deveres de bruxa, sua vida transcedental e seu amor pela família? E, ainda, sua prima Serena, invejosa e maluquinha, vivida pela mesma e fabulosa atriz? Elizabeth Montomery, uma mulher admirável, batalhadora que não se acomodou às suas origens de jovem bem nascida, pioneira em diversas frentes e que foi levada por uma doença silenciosa, acabou se tornando a imagem da Feiticeira. Embora a linda Nicole Kindman tenha tentado, apenas levemente se assemelhou a ela.

...Endora, a mais perversa, mesquinha, maligna, diabólica e bruxa de todas as sogras jamais criadas pela ficção? A propósito, adoro o nome Endora, e a própria personagem. Ria muito com a atriz, Agnes Moorehead, perfeita em seu sarcasmo constante.

...James, o marido atrapalhado, mas honesto a ponto de jamais se utilizar dos poderes da esposa em sua luta pela sobrevivência, sempre muito apaixonado e fiel (apesar das investidas de Serena)?

...A adorável Tia Clara, esquecida, de coração enorme, babá das crianças?

...Tabatha, a menininha-bruxa, cujo nome eu invejava, assim como aqueles lindos cachinhos do início da temporada?

... Os vizinhos fofoqueiros, os Kravitz, sempre tentando pegar Samantha no pulo e nunca conseguindo? E o pior é que nem sendo dois bisbilhoteiros, especialmente Gladys, dava pra ter raiva deles. O pobre Abner tentava, algumas vezes, dissuadir a esposa, mas quem disse que conseguia?

...Larry Tate, o patrão que era um mau-caráter - e mesmo assim, não conseguia nos fazer sentir raiva? Fora que algumas vezes o lado humano dele transparecia, sem exageros, é claro, e sempre muito divertido. Fora quando ia visitar o casal, era um show à parte.

... As idas de Samantha ao mundo das feiticeiras, onde visitava seus parentes malucos, como o Tio Arthur, e era sempre tentada com a proposta para ali ficar?

... O conjunto da obra, considerada hoje uma tosquice, mas um dos maiores sucessos de sua época, que se repetiu nas muitas reprises?

Aqui, você pode assistir aos episódios, e não banque o purista, que a dublagem em português é muito bem feita.



Eu treinava pra tentar poder mexer o nariz daquele jeito...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A era tosca, digo, dos Halley


Em 1985 (mil novecentos e oitenta e cinco, leste direito) o mundo inteiro estava tomado pela febre do cometa Halley, que passaria em 1986 bem próximo da Terra, após ter aterrorizado os incautos terráqueos da belle époque. mas como naquela época, então os grupos de catastrofistaas apocalípticos estavam a disseminar mensagens sobre o fim do mundo, um monte de dogmopatas riam dos ímpios que queimariam no inferno, mas esta é a parte idiota, tratarei só da parte tosca.

O Brasil em particular tinha uma reaçãozinha colateral por conta dessa febre: A Família Halley. Nunca ouviste falar? Pois é, caiu no limbo por um quarto de século, mas voltou a ser possível ter informações a respeito, graças à internet. Vamos lá.

Uma das especialidades das emissoras nos anos oitenta era a dos musicais, especialmente para crianças, especialmente a Globo. A Era dos Halley (aqui e aqui) foi exibida pelo plim-plim em onze de Outubro de 1985, há precisos vinte e seis anos. A família Halley era formada por Urian (Eduardo Conde, in memoriam), Mercur (Gabriel Vannucci), Juna (Carmem Monegal), Lyra (Suzane Carvalho), Big Halley (Castro Gonzaga, in memoriam) e o robô Halleyfante, havia personagens secundários, mas os seis sozinhos dariam conta do recado.

Os Halley eram remanescentes de Hydron, planeta destruído pela devastação ambiental e guerras nucleares há milhões de anos, e usavam o cometa de Halley como veículo para alertar outras civilizações sobre os perigos que corriam... Quem conhece um pouco de astronomia sabe que a órbita do cometa é bem mais restrita do que a ficção faz parecer, mas era só uma brincadeira, lucrativa, mas só uma brincadeira, vamos então brincar também.
A halleymania também era alimentada por histórias em quadrinhos editadas pela Abril, que praticamente não chegaram ao interior do país, entre outras bugigangas. O sucesso no país era estrondoso, finalmente tínhamos heróis nacionais com "classe internacional".
Ainda hoje é possível comprar a trilha sonora.

Só que durou pouco, pouquíssimo. O cometa passou, sim, mas só pôde ser visto do pólo sul, que é virtualmente desabitado. Atrelada à espectativa de se ver o Halley, a halleymania esfriou rapidamente, virou mico e caiu no esquecimento. O calcanhar de aquiles de nossos heróis, como de quase todos os criados no Brasil, é a inconsistência. Eles faziam basicamente o que muitos outros heróis já faziam desde o fim dos anos sessenta, com muito mais competência e carisma, como japonês Specteman (aqui). Só o Halleyfante, com mais apelo ao público infantil, continuou participando por algum tempo do programa Balão Mágico.

Em minha humilde e ranheta opinião, foi mais uma boa idéia mal conduzida pelos criadores, da mesma forma como conseguiram arruinar novelas excelentes sem muito esforço. A porca distribuição de revistas em território nacional, bem como subtração de brindes das mesmas, é de conhecimento geral, mas mesmo para estes padrões a divulgação da mídia material (revistas, figurinhas, botons, et cétera) foi muito ruim, concentrando-se quase que somente no sul-sudeste do país. Uma distribuição teria atenuado os efeitos nefastos da pouca consistência do grupo; Red Sonja ainda vende bem, não vende? Então!

Justo por ser uma boa idéia, que alguns internautas conseguiram trazer de volta à tona, a família Halley certamente teria uma boa chance de sucesso, se entregue às mãos dos japoneses, para ser transformada em animes e mangás, talvez nos moldes de Evangelion (aqui) ou similar. Claro, então o nome "Halley" poderia ser pelo uso do cometa como transporte, para instalação dos alienígenas na Antártida, a partir do quê a trama toda se desenrolaria.

Mas sabem quais as chances de a Globo dar o braço a torcer? As mesmas de eu acordar agora, olhar para os lados e me lembrar que sou Albert II de Mônaco.

Aliás, tosco é apelido!
 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Tosquices que formaram meu caráter - I

Os leitores mais atentos devem ter percebido que sou chegada numa tosquice. É brega? É piegas? É bobo? Tem uma imensa possibilidade de eu gostar.
Vamos então por partes, como diria Jack, o estripador (ô piadinha infame!).
Parte I- A infância
Entre as muitas coisas toscas de minha infância, realmente me formaram caráter (além dos muitos desenhos animados, lógico):
Saturnino, um patinho sabichão que vivia suas aventuras perigosísismas.
Banana Split, um conjunto doido pra caramba, com visual inovador e muito engraçado.
The Monkees - como amaaava! lembro-me a musica com todos os detalhes, uma divertida paródia aos Beatles que eu, na minha ingenuidade, achava serem os mesmos da série.
Lili, um musical em que a mocinha realmente acha que fala com fantoches e era apaixonada pelo mágico, cuja música tema em português sei de cor até hoje.
O Pássaro Azul, um filme em que se busca o dito pássaro, que traria a felicidade, e que tem cenas que algumas vezes achei que fossem fruto de minha imaginação
Os seriados "Jeannie é um gênio", "A feiticeira", "Doris Day" e "I love Lucy", em suas muitas e muitas reprises, adorava ver as trapalhadas delas.

Seus correspondentes para-meninos "Zorro", "Perdidos no Espaço" e "O elo perdido" me faziam ficar estatelada, rindo e torcendo.
Outra série que amava, "Os Pioneiros", me fazia ora querer ser igualzinha à Laura, em suas aventuras e infinito otimismo.
E, já que nosso querido Nanael falou da Mulher-Gato, falemos, então do inesquecível. Das séries de super-heróis, nunca, nada, jamais vai substituir em termos de tosquice deliciosa o Batman, que repetia tanto a ponto de eu saber alguns diálogos de cor. Amava os "vilões especialmente convidados".
Amava tudo isso, e olha que nem falei das novelas.

Mentira, ainda amo!

Santa tosquice, Batman!