quinta-feira, 28 de maio de 2009

Tolerância é "uó"!

Duns tempos pra cá, uma onda insuportável tomou conta do mundo. E eu não estou falando do fanqui nem das mulheres-com-nome-de-comida.


Refiro-me a algo que começou com o tal do politicamente correto.
Uma chatice. Na verdade, muito pior do que isso, porque da chatice a gente tem como se esquivar. O politicamente correto é um amontoado de falso bom-mocismo, uma tremenda hipocrisia.


Como se denominar um cego de portador de necessidades especiais (ou diversamente capacitado) fosse eliminar o preconceito. Rá! Pelo contrário, todo esse falatório tem um ranço de condescendência que me revolta o estômago. É algo que diz assim: "olha como eu sou bonzinho, me considero superior, mas uso um termo eufêmico para te denominar".

Isso tudo remete a outra palavra que veio nessa esteira, e que tem um cheirinho insuportável de falsidade. É a tal ideia de tolerância, um estelionato intelectual que carrega um vírus mortal de preconceito e uma possibilidade mais que real de explosão.

Isto porque tolerar é suportar, aturar, permitir algo (um ato, uma presença, enfim). Remete a consentimento. É um disparate uma pessoa achar que ser tolerado é algo aceitável.

Eu não quero ser tolerada. Quero ser respeitada. Não concordar comigo é me respeitar também, afinal, estabelece-se o debate e estamos em igualdade intelectual.

Dizer que se é tolerante é como dizer que se tem paciência com aquele ser ali, que você considera errado, feio, torto, mas tudo bem, você é tão bacana, tão politizado, que o tolera.

Mas se a tolerância envolve essa "paciência" (que, no fundo, é um menosprezo disfarçado), envolve também uma repressão a um sentimento de raiva, um disfarçar de intenções, um abafamento de opiniões, um dique de falsa aceitação que pode romper a qualquer momento. E estourar em xenofobia, perseguições, ódios de todo tipo.

O respeito não, pois respeitar é conhecer. Sem falsa moral, sem bom-mocismo, sem eufemismos, sem condescendências.

Update: a imagem abaixo traduz exatamente o que quero dizer. De um lado, "um conto de Spilberg", em que ele recebe grana do congresso estadunidense e promete ensinar (eca!) tolerância. Do outro, o desenho animado "O espanta-tubarões". Só pra acrescentar, lembre que o tubarão principal, no filme original, tem os traços, a pinta e até a voz de Robert de Niro, conhecido por sua atuação em filmes de gânsters. Dizendo ensinar tolerância, evidencia o chargista, Spilberg vende difamação. O que o artista genialmente aponta é que há, na verdade, uma nova roupagem a um velho preconceito. Perfeito! E é exatamente isso que tolerância significa.























Por isso enfatizo:

Tolerância não! Tolerância é .

6 comentários:

Nanael Soubaim disse...

Pior é o Estado bancar essa imbecilidade, formalizando o termo "raça" que a ciência já revogou há anos. Eu, que não faço parte de nenhuma, fico excluído.

Adriane Schroeder disse...

Somos dois, Nanael.
Dois SRD... ahahhaha.

Fabiana disse...

Eu discordo de você em tantos níveis que teria que escrever um novo texto.

hehe.

Adriane Schroeder disse...

Fantástico, Fabi!
Discordar é maravilhoso.
Adoraria saber tua opinião. Não para tolerá-la, mas para conhecê-la.
:-*

Luna disse...

Disse tudo! Lembra quando a gente brincava na rua e sempre tinha aquela criança que era "café com leite"? Então, tolerância é isso. A gente deixa você participar da brincadeira, só para não dizerem que a gente é mau.

Fabiana disse...

Tipo assim, na sala de aula. Quando você percebe que tem um aluno que é alvo de chacota? Sabe? Vai esperar até que os colegas enteeeeeeendam o que é a compreensão das diferenças? É isso, claro que existe um ideal de convivência, mas enquanto ele não existe, ora, que se IMPONHA por meio da tolerância. É um paliativo, claro que sim... mas muito melhor do que a agressão explícita. E blá, blá...