sábado, 8 de novembro de 2008

Festa de criança 1

Ontem fui a uma festa de crianças. O filho de uma colega completou um ano.

Fora a dificuldade por ter sido longe, e eu ainda não ter minha furreca, tudo correu bem. Mas me impressionou as cousas que no meu tempo de criança não eram sequer cogitadas, senão em festas de milionários. Touro mecânico, cama elástica, piscina de bolinhas, um castelinho inflável, um monte de garçons e funcionários para cuidar dos petizes.


Não faço uma crítica, apenas um paralelo de quem se habituou às austeridades de um aperto econômico que já dura trinta e seis outonos. Quando eu era criança, no máximo haviam balões e chapeuzinhos cônicos de papel, estes presos com elásticos dos mais vagabundos, que não raro chicoteavam o olho de alguém.


Brinquedos? Se houvesse uma árvore no quintal, haveria um balanço feito com uma ripa de madeira e dois pedaços velhos de corda, com certeza uma seria de cisal e a outra de plástico.


Quem tivesse uma vitrola, teria som ambiente. Nós não tínhamos, no máximo o rádio de pilha e não era muito diferente de festinhas de crianças mais abastadas do que eu. O básico não diferia.


Ontem, chegando ao salãozinho de eventos do sindicato, já encontrei a entrada toda embalonada, com bexigas tradicionais e de esculpir. Lá dentro, ainda quase vazio posto que gosto de chegar cedo, vejo a molecada já presente em fila para pagar micos no touro mecânico, no palco uma mesa decorada com bichos de pelúcia, pirulitos, maçãs-do-amor, um cenário de bosque onde tinha até um leão sorrindo. Tá, sabemos que sorriso de leão é jugular rasgada, mas as crianças ainda não precisam saber disto.


Interessante notar que as crianças mais novas eram justo (dos cinco aos nove anos) as que se saíam melhor no tal touro mecânico. Respeitando a capacidade de cada um, a operadora do brinquedo derrubava seis ou sete adolescentes para cada criança que caía. Havia uma fofinha em um vestido pink rodado, nos seus seis aninhos, que me lembrou a amiga Eddie Van Feu, falando mais que o homem da cobra e se jogando naquela cousa sem dar trela às limitações de seu pouco tamanho, ainda que precisasse de ajuda para subir no brinquedo e ajeitar o vestidão com anágua.


A algazarra vocês podem imaginar, pois o que imaginarem será pouco. Tão logo os parabéns foram cantados, a bagunça que já se instalara virou um pandemônio. Pelo menos nisto ainda é como naquela época.


Decerto que a Luciene pagou os tubos para dar aquilo ao Diogo, e espero que ele valorize esse esforço com o tempo, se não quiser ter o traseiro listrado por uma vara de marmelo. Ainda assim é cousa com a qual nem sonhávamos nos anos 1970, haviam vezes em que eu via gente chegando com presentes (nem sempre para mim) sem ter idéia do que se tratava, pois se servia uma mesa mais apurada e nada mais. A festa era a visita.

Vocês, mamães e papais neófitos, não tardem em mostrar aos rebentos as diferenças abissais que separam a frugalidade doutrora, da opulência fácil que temos hoje em dia. Um dia, já casado, minha esposa terá que me meter a colher de pau na cabeça todos os anos, pois minha tendência é manter o frugal e não dar pelotas para datas comemorativas.

2 comentários:

Adriane Schroeder disse...

Bem, pelo menos as crianças não estavam fazendo unhas num salão...!
:)

Luna disse...

Dos males o menor: é melhor uma festa superproduzida, do que comemorar aniversário em lan house.

Mas eu prefiro festa em casa, porque dá pra levar pratinho! (mode pobre on)